domingo, 22 de abril de 2012

A dança como terapia

Quem imagina que a idade "enferruja" os quadris e impede as pessoas de dançarem, está enganado! Foi-se o tempo em que os idosos ficavam sentados, ansiosos, à espera de um "par" para bailar pelo salão. Hoje, eles invadem a pista, com estilo próprio, sem medo de errar o passo. Prova disso, é o crescente número de frequentadores dos bailes da terceira idade.

Os salões dos clubes ficam lotados. Os bailes do Clube do Vovô, em Maringá, nas tardes de quartas-feiras e domingos, transformaram-se em uma terapia para muita gente, que frequenta o local. O aposentado Antônio Mota Soares, 74 anos, que o diga! "Redescobri o prazer de viver graças à dança", comenta com entusiasmo

Viúvo há seis anos, Antônio, lembra que dançar sempre foi uma opção de lazer dele e da falecida esposa. A atual companheira, com quem mora há dois anos, "também é uma parceira incansável da dança de salão", diz. Frequentador do Clube do Vovô há pelo menos 17 anos, o aposentado conta que o ritmo preferido é ditado pela música gauchesca. "É meu estilo preferido. Basta ouvir um xote ou um vanerão, que logo saio chacoalhando os cambitos, com minha prenda", relata.

A tendência das pessoas à medida que envelhecem é deixar de praticar algumas atividades físicas, o que é errado.É comprovado que dançar libera endorfina, o hormônio da felicidade. Isto porque, ninguém dança de cara fechada, ao contrário, essa atividade está relacionada ao prazer, a alegria. Além é claro de trazer outros benefícios para a saúde.

A dança reduz o estresse, queima calorias tanto quanto andar de bicicleta ou caminhar. Dançar é uma atividade que faz bem não apenas para o corpo, porque tonifica os músculos, mas para a alma.

"A dança tem o poder de fazer a gente esquecer de qualquer dor na perna, nas costas. Faz um bem enorme para o ego e traz muita disposição" afirma Cleuza Tossani Lopes. Ela é um exemplo de quem não se deixou impor limites para viver bem e ser feliz, por causa da idade.

Aos 67 anos, ela frequenta aulas de violão, canta no coral da UEM, frequenta oito cursos da Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati) e ainda arranja um tempinho para jogar tranca com os amigos e sair para dançar. "Pelo menos uma vez a cada quinze ou trinta dias, combino com algumas amigas de sair para os bailes", acrescenta.

Para Cleuza, a dança também tem o efeito de aproximar as pessoas. "É uma forma prazerosa de conhecer e se relacionar com o sexo oposto", ressalta. Viúva há 25 anos, atualmente livre e desimpedida, Dona Cleuza garante que os bailes são uma oportunidade para conhecer mais que pés de valsa, quem sabe um novo amor.

Mas, acima de tudo, os clubes da terceira idade, como o do Vovô, Carinhoso, Sesc e tantos outros, frequentados por essa turma grisalha, são também uma forma de se deparar com exemplos de longevidade

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