domingo, 10 de janeiro de 2010

CONGRESSO RECLAMA PLANO NACIONAL PARA MANTER SÊNIORES ACTIVOS

A criação de um plano nacional para manter os idosos activos foi defendida na abertura de um congresso luso-espanhol que juntou durante três dias em Bragança, técnicos e académicos dos dois países em torno da problemática da Terceira Idade.

Queremos pessoas que cheguem aos 90 ou 100 anos capazes e activas», disse Emília Magalhães, da Escola Superior de Enfermagem de Bragança, entidade responsável pela organização do encontro.

Este congresso pretende «abanar consciências» numa altura em que esta problemática se confronta com novos desafios, devido ao aumento da esperança média de vida, que dentro de 30/50 anos deverá ultrapassar os 100 anos, de acordo com a opinião de técnicos de gerontologia.
A região que acolhe os cerca de 200 congressistas é, para Emília Magalhães, demonstrativa da nova realidade, encontrando-se entre as mais envelhecidas de Portugal e com um crescente número de problemas ligados à desertificação das aldeias e consequente solidão dos idosos.

A política de construção de lares e centros de dia está ultrapassada, segundo a organizadora, que visitou várias instituições do género no distrito de Bragança para uma tese de doutoramento sobre o envelhecimento.

Entrevistei 450 idosos e não estão activos. O que é importante é que as pessoas não parem, quer seja um trabalho remunerado, quer seja um trabalho por opção, que pode passar por actividade de lazer ou ocupação do tempo livre», considerou.

Na opinião desta investigadora, há iniciativas pontuais para combater esta inactividade, mas só um plano nacional conseguirá combater o problema de forma articulada e fazer com que os idosos deixem de ser encarados como inúteis.

Quando vemos um grupo, por exemplo, de ingleses, verificamos que eles são capazes e, às vezes, têm 80/90 anos e andam a passear. Isto porque os ingleses já começaram a pensar nestes problemas há mais de 50 anos», declarou.

Um dos contributos para a mudança de atitude poderá ser dado pelo meio académico e o primeiro passo consistirá na celebração de protocolos, durante o congresso, entre as universidades de Madrid, Estremadura, Coimbra e o Instituto Politécnico de Bragança.

De Espanha chegou já o exemplo da universidade da Estremadura que tem em funcionamento uma espécie de programa denominado «Tradições e Costumes» e que envolve avôs, crianças e professores.

Duas vezes por semana os idosos de 10 povoações da Estremadura deslocam-se ás escolas das respectivas localidades para falarem das brincadeiras dos seus tempos de criança, das festas, contar histórias e recuperar tradições.

Alguns avôs levantam-se da cama, mesmo doentes, para irem falar com as crianças», contou o professor da universidade espanhola, Florêncio Castro, para sublinhar a importância desta acções, mesmo ao nível social e até da saúde mental dos idosos.

Este é o caminho que Emília Magalhães defende para Portugal e exortou os técnicos presentes no congresso a tomarem a iniciativa, começando por pequenas acções.

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